ARA COELI
- JOÃO MOTTA

- 16 de jul.
- 3 min de leitura
Ontem toquei no Altar do Céu. Traz muita responsabilidade e seriedade. Não cair na distracção. Mas eu sou muito distraído com a identidade e só Deus me pode valer. Sim, guardei a memória da origem, mas é Deus em mim que se lembra de Si.
Sou um pensamento na mente de Deus. Um pensamento que Ele mantem vivo. O altar do céu é onde o Pai e o Filho se encontram; ele assegura que são e permanecem uno. É onde os pensamentos reais ocorrem. Aqueles que são comuns a ambos. Aí se estende a Criação, em Amor e em Alegria.
Tocar o altar é ter um vago e distante vislumbre desse ponto de consciência que é o centro de tudo. Onde tudo o que é eterno permanece, onde tudo faz sentido e nada falta.
Nesse altar não há dúvidas, pois o Pai e o Filho permanecem uno. É nessa ponte que entre Eles se oblitera a diferença.
O altar está sempre presente na mente de cada um de nós. Mas exige compromisso. Tem que se tornar a prioridade. Tem que ser abordado com respeito, sabendo que é nele que nos santificamos, momento a momento.
Há responsabilidade porque o que fazemos com o altar fazemo-lo em nome da humanidade. Abrimos caminho para que outros dele se abeirem. Nada há de mais certo e seguro. As velas que reconhecemos nele são o que ilumina a nossa vida. Elas se transformarão na luz do mundo.
E Deus agradece-nos o que fazemos, pois ao faze-lo estamos a reconhecer a sua vontade. A nossa vontade nunca deixou de ser a Sua, pois só pode haver uma. E nessa vontade tudo está bem, tudo é perfeito.
Para passar de um fugaz tocar a um certo adentramento é necessária perseverança, força de vontade e querer mesmo saber o que são os nossos pensamentos reais. É difícil à mente humana, tão habituada à forma e à ilusão do espaço-tempo, imaginar o pensar ilimitado, sem as limitações dos conceitos e sem a ilusão da separação. E aí só a oração e o recolhimento nos podem valer. A humildade, a candura, a inocência, a paciência. E também confiança - sabermos que todos os pensamentos do Céu nos apoiam e chamam por nós.
O altar abre-se a todas as direcções e dimensões. É um lugar aberto onde os peregrinos se acolhem e alimentam. Onde se reconhecem como o Filho de Deus, uno e colectivo.
Ainda que o altar viva no momento, o seu fundamento é eterno, a fundação original onde os pensamentos que partilhámos com o Pai se tornaram o modelo expansivo da Criação. É essa fundação de Amor eterno e incondicional que permite ao altar ser aberto a tudo, a todas as intenções que sejam honestas e puras, todas aquelas que queiram co-criar com Deus.
Pensam com Deus aqueles que querem estender o Amor ao ilimitado, aqueles que querem exercer a criatividade infinita que é a natureza divina. Não são de Deus os pensamentos dispersivos, que não acrescentam. Aqueles que não têm capacidade universal, de poderem servir a outros. Aqueles que não podem dissipar as sombras, as resistências e as distracções. Aqueles que não negam a separação e o mundo.
O altar é portátil, pode-se levar a qualquer tempo ou lugar. Reage sempre à nossa intenção. A confiança com que o abordamos vem da nossa ausência de culpa, no altar já não há necessidade de perdão. As flores são as da inocência.
Chamamos Cristo ao nome do Filho, aquele que com suavidade oficia em redor do altar. Aquela identidade que acolhe a todos que buscam o Pai.
No altar do céu Deus fala connosco como quando nos criou, perfeitos, unos, completos.






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