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A projecção do universo

  • Foto do escritor: JOÃO MOTTA
    JOÃO MOTTA
  • 13 de jul.
  • 2 min de leitura

O universo do espaço-tempo é só uma projecção na tela da consciência.

O tempo é um filtro, uma interpretação que a mente faz do agora de cada um. Uma distorção, uma precipitação, uma perversão.


Pois o passado ocorre no agora, é só uma lista de temas que queremos continuar a analisar, a digerir, a masturbar. É uma necessidade de culpabilização, um substituto para o aborrecimento presente, uma faceta da divagação da mente. Também um bode expiatório para assuntos de que não queremos tomar responsabilidade.


A ideia de futuro é algo semelhante, só que em vez de estar ligado á culpa está ligada ao medo, ao receio. E aí enchemos esse conceito de aquilo que queremos nos suceda ou nos falta com toda uma carga positiva de expectativas risonhas ou então de males incontáveis, acabando pela morte, o grande papão.


Quanto ao espaço é algo mais domesticado, uma figura que inventámos para organizar o tempo, para pormos eventos psíquicos em certos lugares ou contextos, isto para lhes dar verosimilhança. Pois só imaginamos o tempo, mas vemos o espaço. E os sentidos -essas testemunhas pagas para nos certificarem que a projecção é real- os nossos sensores neste avatar com que navegamos o jogo, vão-nos alimentando com a informação que julgamos necessitar para manter viva a programação do ego, a saga da culpa e do medo.

Na verdade, o espaço era desnecessário, pois uma distância é só o tempo que leva de uma estado de consciência a outro. Ele não é usado no mundo dos sonhos, excepto como imagem, não como forma tridimensional. Tanto o espaço como o tempo são os suportes da ideia de separação. Esses dois malandretes foram utilizados como brinquedos, ou ferramentas, para criar os andaimes da projecção universal. São como o ponto e o nó de uma tapeçaria, o tapete mágico no qual vamos voando na ilusão. Nesse véu ou tecido que vamos urdindo, com a nossa perversa adição às ideias de passado e futuro, como escapes para não encarar ou perdoar a realidade presente.

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