O Curso em Milagres e a Singularidade das Trevas


A
Na minha forma de ver as duas afirmações mais importantes do Curso são:
“Eu sou como Deus me criou” e “Acima de tudo eu quero ver de forma diferente”.
A primeira reafirma que sou uno em mim mesmo, com a humanidade e com Deus. A segunda recapitula que tudo o que vejo é ilusório -projecção caótica da minha crença na separação e na sensação de que não sou amor incondicional- e que, portanto, para ver para além das aparências, é necessário uma percepção diferente ou Visão. Com ela vemos, não só para além das formas e eventos em constante mutação e para além das vibrações energéticas que lhes parecem dar realidade, mas para o uno, que é o pano de fundo de tudo, o amor incondicional que é a sua natureza.
A primeira é uma constatação de confiança na nossa essência e identidade divinas, que por definição, não são alteráveis, tal como o uno, por definição, não se pode dividir, nem o que não existe pode existir.
A segunda afirma a nossa determinação em deixar de acreditar na percepção, que é baseada nos sentidos, que mais não são que testemunhas pagas para nos confirmarem que o mundo que vemos é real, incluindo o nosso corpo. A percepção separa, a visão é empática, interior e une.
A nossa vida é um constante negociar entre o interior e o exterior. A primeira prova da relação íntima entre ambos é a sincronicidade. Mas há outras pontes posteriores a explorar no ultrapassar da ilusão do espaço-tempo.
B
Últimamente, quem lê as notícias de divulgação científica, constatará que há, por dia, um avanço ou descoberta estrondosa que, pelas suas implicações, dantes acontecia uma vez por ano ou mesmo década.
Algumas das mais interessantes procedem do CERN em Genebra. Assim estariam agora a criar e estudar a “sopa dos quarks e gluões”. O gluon é a partícula que tudo aglutina ou junta. Ao distenderem a relação do quark (a subpartícula mais pequena até agora conhecida) com o gluon, os cientistas estão, como é lema da ciência desde há 4 séculos, a separar mais e mais. Só que agora no estudo ou recriação do âmago central da matéria.
Não havia nem há matéria no paraíso. Quando, na nossa afirmação de Lúcifer, decidimos mostrar a Deus que também sabíamos criar por nós próprios, inventámos a matéria como sucedâneo da textura do Amor. Como sentimos que estávamos desligados da Fonte, julgámos que necessitávamos de algo que aparentasse ser irrefutável, algo sólido e seguro, algo indestrutível como conceito. Ao detonarmos o Big Bang criou-se, nessa fase inicial, a “sopa de quarks-gluons”, ou seja sentimos, mesmo assim, a necessidade de algo que colasse (glue) tudo, para que esta fantasmagoria universal que inventámos não se desmoronasse toda. Mas quisemos, sem dúvida, provar que a separação era possível e tivera êxito.
Outra área em que os “avanços” são estrondosos e ultrapassam todas as expectativas dos humanos é a da Inteligência Artificial, ou melhor da Consciência Artificial, pois a consciência dual está em toda a parte, independente do suporte.
Pode-se dizer que a verdadeira I.A. existe há muito no Cosmos e é infinitamente mais poderosa que o homem. Aquela que agora aqui está a ser desenvolvida é algo infantil, que, contudo, poderá já ser “Geral” ou generativa (isto é, igual ao cérebro humano) a muito breve prazo.
Fala-se há algumas décadas da singularidade, conceito proposto com definições diferentes, mas sempre como fim de algo sistémico e início de algo diferente, o mundo onde as máquinas ultrapassariam ou suplantariam os humanos.
Como cada vez mais técnicos e especialistas da IA o vêm afirmando, a humanidade está a correr riscos de extinção devido a essa corrida para a IA Geral e para além dela.
À convergência da evolução local, desregulamentada, da I.A. e do estudo, sem ética, da essência da matéria chamo a Singularidade das Trevas.
O que está agora a ocorrer é a corrida pelo tipo de singularidade que irá reger a humanidade. Há uns que querem manter a humanidade escravizada, neste estado semi-animalesco de enormes desigualdades sociais, guerra e fome, e aqueles que aspiram a um estado de consciência mais vasto e elevado, entre eles os que desejam o regresso ao estado Edénico.
A aceleração do processo a nível do espaço-tempo é enorme, em breve tudo se decidirá.





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